Rita Barros Gonçalves

Investigador em Destaque – Outubro de 2021

1. Nome
Rita Barros Gonçalves
 
2. Idade
41 anos
 
3. Instituição
Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Universidade do Minho, Portugal
 
4. Área de investigação
Comunicação Organizacional, Comunicação de Marcas
 
5. Como começou o teu percurso como investigadora? Algum acontecimento ou evento particular suscitou o teu interesse pela área da investigação que atualmente desenvolves?
Licenciei-me em Gestão, pela Universidade do Minho, no ano de 2003 e o meu percurso profissional teve início no mundo empresarial. No entanto, sempre mantive uma ligação ao lado académico frequentando formações na área da Gestão. Quando, após 10 anos de experiência profissional, decidi tirar um MBA (Master Business Administration) em Gestão, este reavivou o gosto e a paixão pelo estudo e pela investigação. Finalizado o MBA inscrevi-me e conclui o Mestrado em Gestão com o desenvolvimento da tese: “Meios de comunicação na gestão de marcas de moda”. Durante este percurso académico – MBA e Mestrado, geria um pequeno negócio familiar. Inicialmente, procurava sair do centro do negócio que superentendia e vê-lo de outro prisma, mais atual, adequado aos novos hábitos de consumo e, desta forma, construir uma visão consolidada e estratégica para o seu desenvolvimento. O objetivo era duplo: proporcionar um futuro sólido para a empresa e, a nível pessoal, a oportunidade de crescimento e aplicação dos conhecimentos adquiridos. O MBA e o Mestrado fornecer-me-iam as ferramentas de que necessitava para dar continuidade ao negócio que represento com originalidade e competitividade, honrando a memória das gerações que me precederam e preparando o futuro das gerações vindouras.
Durante o Mestrado a vontade de pesquisar e saber mais sobre Comunicação de Marcas ampliou-se. Neste seguimento, fui convidada pelo IPCA (Instituto Politécnico do Cávado e do Ave) para lecionar unidades curriculares na área da Gestão e Empreendedorismo. Este foi o momento chave – tive a certeza de que era neste âmbito que pretendia avançar na minha carreira profissional.
Percebi que tinha de continuar a investir academicamente, estudando/investigando numa área que me motivasse e permitisse continuar o meu percurso como docente. Candidatei-me ao Doutoramento em Ciências da Comunicação, porque é o evoluir lógico face ao desenvolvimento da tese de mestrado e à gestão do meu negócio. É a área da comunicação que me faz querer saber mais para que consiga conciliar o conhecimento teórico à prática.
Paralelamente, várias pessoas também me inspiraram e incentivaram o que conduziu ao momento atual.
 
6. Podes apresentar-nos um pouco da tua produção científica enquanto investigadora?
A minha produção científica está na sua fase inicial. Centra-se na comunicação de marcas. Destaco a minha dissertação de mestrado intitulada Meios de Comunicação na Gestão de marcas de moda.
Com a entrada no Doutoramento, desenvolvi alguns artigos tendo publicado na Revista “Comunicando” de Junho deste ano o artigo com o tema Comunicação nas redes sociais em tempo de pandemia: o caso das marcas Nestlé® e Nestlé Portugal®. Um artigo que pretende analisar a comunicação das marcas efetuada nas redes sociais, na fase de pandemia da Covid-19. Numa altura em que a forma de comunicar se alterou e consequentemente o comportamento dos consumidores, torna-se fundamental perceber o que comunica agora, como deve uma marca posicionar-se de forma a ser reconhecida e, dessa forma, criar envolvimento com os consumidores. É fundamental conhecer o novo percurso do consumidor conectado, garantir que na fase de atração por uma marca, os influenciadores digitais a aconselhem e comuniquem de forma a divulgá-la e conduzam a uma hipotética decisão do consumidor pela mesma. Através de uma comunicação leve, transparente, que gere confiança e segurança, emotiva, assente em causas e propósitos e com preocupação pelas pessoas, comunidades e planeta, as marcas conseguem consolidar o seu propósito, serem reconhecidas pelos consumidores e criarem envolvimento entre consumidores e marcas. O estudo de caso Nestlé® e Nestlé Portugal® demonstra que as duas marcas adotaram esta linguagem de forma constante e a sua visibilidade aumentou. Numa era de distanciamento social, urge usar as redes sociais, de uma forma estudada, transparente e baseada em valores humanos reconhecidos pelos consumidores.
Atualmente, continuo focada na comunicação de marcas, mas com enfoque no fator Emoção na comunicação.
  
7. Qual foi o ponto de partida para o projeto de doutoramento que desenvolves? Fala-nos um pouco sobre ele.
Com o desenvolvimento do mestrado na área da comunicação começou a minha paixão por este tema. Paralelamente, trabalhando e gerindo uma empresa onde criei uma marca própria, a comunicação de marcas surge como prioridade e procurava sempre estudar e saber mais. Quando iniciei o Doutoramento, de uma forma quase inconsciente, todos o meus trabalhos e pesquisas conduziam para a comunicação de marcas, o que de certa forma foi revelador de que é um tema que consegue unir vários campos e que precisa de ser estudado, pesquisado e investigado. Espero contribuir com a minha quota-parte, por mais ínfima que seja.
Há muito que as marcas são a voz de produtos/serviços, tendências, formas de ser e de estar, pelo que a comunicação das mesmas assume uma importância cada vez maior na sociedade. Mas a comunicação das marcas tem sofrido transformação ao longo dos tempos, na procura de envolvimentos mais estáveis e eficazes com os seus públicos. Neste contexto, pretendo investigar quais as características definidoras da comunicação das marcas contemporâneas, olhando com particular atenção para o uso que fazem de elementos emocionais antropomorfizadores no estabelecimento das relações com os seus públicos e para os seus efeitos atitudinais, comportamentais ou de opinião.
Ou seja, através de uma revisitação do conhecimento sobre os processos de comunicação humana e uma abordagem à comunicação das marcas pelo recurso a uma analogia com um dos modelos clássicos de estudo do processo de comunicação e o estudo dos elementos emocionais presentes na comunicação, tenciono abordar a complexidade do tema e os seus efeitos.
Como resultado desta investigação espero conseguir promover a compreensão sobre a utilização da emoção na comunicação das marcas atualmente, compreender qual o papel da comunicação emocional no comportamento dos públicos e perceber que elementos emocionais devem ser comunicados pelas marcas de forma a criar envolvimento com os públicos. Considero que estas questões são relevantes na medida em que as marcas assumem uma importância cada vez maior no futuro das novas gerações, fomentam valores e definem a própria cultura. Nesse contexto, é fundamental debater o papel da comunicação das marcas na atualidade e perspetivar caminhos sobre como deve ser efetuado.

8. Atualmente, dedicas-te exclusivamente à investigação?
Não. Sou docente no IPCA. Leciono a Unidade Curricular de Sociologia da Comunicação, Empreendedorismo e Criação de Empresas e Marketing e Empreendedorismo e faço a gestão de um negócio próprio – Casa Académica – uma empresa fundada pelo meu avô paterno em 1940. Desde 2010 assumi a completa gestão da mesma. Inicialmente foi uma questão afetiva, aliada ao desejo de criação de um negócio próprio e de poder aplicar as áreas de gestão no seu todo e não trabalhar apenas em áreas específicas como marketing ou contabilidade. A empresa, quando foi fundada, dedicava-se à produção e comercialização de fardas e trajes. Posteriormente, o meu avô paterno desenhou, produziu e comercializou o traje estudantil da Universidade do Minho bem como traje Doutoral (traje usado pelos Professores Doutores aquando de celebrações solenes ou atos formais da Universidade).
Hoje, sob a minha coordenação/gestão o negócio baseia-se na produção/conceção e comercialização de cinco produtos: trajes académicos (não só da Universidade do Minho como de todas as Universidades do País), trajes jurídicos (togas de advogados e solicitadores, becas de juízes), trajes de confrarias, trajes Doutorais e, detemos uma marca própria – Gatémia®, primando por um serviço de qualidade, rigor e perfeição.

9. Como é que organizas o teu dia a dia de trabalho com a vida quotidiana?
O meu dia a dia de trabalho divide-se entre o IPCA, a Casa Académica e o tempo para investigação que acaba por ser bastante limitado e exige método e organização muito estruturado. Tenho uma filha de 12 anos, que diariamente levo à escola, vou buscar e apoio no estudo e tento ainda manter uma rotina no ginásio. Sou focada e determinada e, por isso, muito exigente nos timings a que me proponho. Obviamente, que algumas frentes, por vezes, exigem mais do que outras. Por exemplo, a Casa Académica é sazonal o que me obriga a planear o trabalho de forma a ir gerindo prioridades, mas um dos traços mais marcados da minha personalidade é a organização o que me possibilita ir gerindo o dia a dia e sempre com um sorriso nos olhos. Felizmente tenho uma Mãe que me apoia e assegura aquelas outras frentes tão necessárias para manter o resto a funcionar.
Um dia a dia dinâmico, desafiante, mas penso que só assim vale a pena, chegar ao fim da semana e ter aquela sensação de dever cumprido.
 
10. Imaginas o teu futuro ligado à investigação ou gostavas de conhecer outras áreas e enveredar por outros caminhos?
Acima de tudo tenho o sonho e objetivo de consolidar a carreira académica e obviamente ter um futuro ligado à investigação. Estou a trabalhar para isso. Relativamente à empresa que giro, penso que no futuro continuará a fazer parte da minha vida, mas espero que aquilo que me defina seja efetivamente a docência.
 
11. Porque participas no GT de Jovens Investigadores da Sopcom e o que mais gostas deste GT? (responder também em vídeo, se possível)
Logo no início do Doutoramento assisti à apresentação do Grupo GT e automaticamente pensei, “quero fazer parte”, por vários motivos: adorei a dinâmica, para mim que me estava a estrear no mundo académico de investigação seria a forma de estar em contato com pessoas mais experientes e que me poderiam orientar. Tornei-me sócia da Sopcom e associei-me a grupos de trabalho nas minhas áreas de interesse, e obviamente ao GT de Jovens Investigadores.
O que mais gosto deste GT? Sem dúvida, das pessoas, sinto que além de colegas de caminhada fiz amigos e da partilha de conhecimento que este grupo proporciona. É um grupo inspirador e incentivador e, ao mesmo tempo, leve e dinâmico.